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Quem Tem Um Sonho Não Dança



A Aranha do Hell

Eu desde sempre tenho um pavor incontrolável por bichos que voam ou com mais de quatro patas. Se eles forem peludos ou se mexerem muito rápido, então, eu só falto enfartar. Daí em uma noite dessas, tinha passado um pouco das dez da noite e os meus pais já tinham ido dormir, meu irmão estava no banho e eu esperando pra escovar os dentes. Quando ouvi o chuveiro desligando, já abri a porta do meu quarto pra esperar no corredor que ele saísse e dei de cara com ela.

Era do tamanho do meu punho, tinha oito patas nojentas e peludas, e ficava me encarando encostada no rodapé da parede. A aranha mais bizarra que eu já tinha visto. Até achei que ela estava morta, porque eu passei uns minutos olhando pra ela feito idiota e nada de ela se mexer. Como a porta do banheiro é bem ao lado da do meu quarto, eu só estiquei o braço pra dar um toque e gritei pro meu irmão não se assustar com a aranha colossal antes de voltar bem quietinha pro meu quarto. Ia esperar que ele tirasse ela dali e escovava os dentes depois disso.

O Cauê bateu na minha porta logo depois pra perguntar se eu tinha visto pra onde ela tinha ido. Gelei, lógico, porque vai saber onde aquela coisa tinha se enfiando agora. Eu sei também que o meu irmão tem tanto pavor de aranha quanto eu (aranha, barata, sapo, mariposa, besouro, centopéia, só meu pai se livra quando um perdido desses entra lá em casa), mas ele é homem, grande e no meu quarto é que ela não tinha entrado porque eu teria visto. Fui cruel, deixei o Cauê pra se virar procurando a bicha sozinho, escovei os dentes e fui dormir em paz.

Meu pai que foi achar ela escondida na noite seguinte, ainda me arrepia só de pensar que eu podia ter encontrado ela sozinha.



Escrito por kauanna às 11h48
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Charlie Brown - Desenho

Eu tenho uma vaga lembrança em algum lugar da minha confusa memória de um domingo à tarde estar deitada num colchão no meio da sala assistindo ao Cartoon Network enquanto meus pais faziam o almoço. Na verdade vários domingos eram assim, e não tinha nada que me divertisse mais do que assistir ao desenho do Charlie Brown. Um contorno fino, cores bem simples, mal dublado, histórias tolinhas. Mas era o meu desenho preferido. Até hoje é, eu tenho uma saudade desgraçada daquele garotinho de camiseta amarela e cabelo da cor da pele, dos olhinhos de todo mundo no desenho que eram só dois pontinhos pretos, e os adultos falando e só saía aquele "Graufradinhanogrrrrrr"  Alguém lembra disso, não? Eu nem gostava tanto do Snoopy dormindo naquela casinha de cachorro dele, o meu encanto sempre foi com o Charlie, o Lino e aquela irmãzinha fofa dele que era apaixonada pelo Charlie. Também lembro da garotinha loirinha que não aparecia nunca, mas era o amor da vida do Charlie Brown, e deles se encontrando na muretinha todo dia

Todos se lembram da maravilhosa época em que toda criança no Brasil comprava a revista Recreio. Eu e meu irmão tivemos essa fase, lógico, e o meu maior encanto por aquela revista eram as tirinhas do Charlie Brown que vinham na última página. Lia aquilo adoidada, ria cada vez mesmo que não tivesse nada de engraçado. Não adianta, Charlie e a turminha dele estão pra sempre no meu frágil coraçãozinho de criança

 



Escrito por kauanna às 14h19
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